Atualidades de Saúde

Controlo e Adesão: os dois pilares da proteção cardiovascular

Lisboa, 20 de março de 2026 – Atingir o topo da proteção cardiovascular é um objetivo que vai muito além do simples controlo de valores analíticos ou tensionais. Foi esta a premissa central do simpósio promovido pela Servier, no dia 20 de março, nas Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar, que reuniu dois especialistas em Medicina Geral e Familiar, o Dr. Francisco Santos Coelho, Diretor do Departamento de Cuidados de Proximidade da ULS Tâmega e Sousa, e o Dr. João Soares Ferreira, da USF Marquesa de Alorna, numa partilha de informação sobre os principais obstáculos e as soluções disponíveis para aproximar os doentes deste objetivo.

Os especialistas identificam dois vetores fundamentais que condicionam a proteção cardiovascular na prática clínica diária: a inércia dos profissionais de saúde e a baixa adesão terapêutica dos doentes. Para o Dr. Francisco Santos Coelho, “mais do que tratar a hipertensão, interessa-nos proteger o utente, dar-lhe qualidade de vida, diminuir o risco de que ocorram eventos que possam causar sequelas graves ou que possam mesmo ser fatais.” Uma perspetiva holística que implica uma revisão ativa e sistemática das opções terapêuticas disponíveis, mesmo quando o doente aparenta estar controlado.

O Dr. João Soares Ferreira reforça esta ideia, alertando para a necessidade de tratar o risco cardiovascular como um todo: “começámos agora a perceber que o importante é tratarmos tudo como um todo, ou seja, o risco cardiovascular no seu todo.”

Esta abordagem integrada encontra suporte nas mais recentes recomendações científicas internacionais. A Atualização Focalizada das Guidelines ESC/EAS 2025 para a Gestão da Dislipidemia representa um passo determinante nesta direção, adotando os modelos de risco SCORE2 e SCORE2-OP para uma estratificação mais precisa e individualizada do risco cardiovascular.

No que diz respeito à inércia clínica, esta surge, frequentemente, da pressão do tempo em consulta e da multiplicidade de problemas a gerir em simultâneo, um contexto que pode levar ao adiamento de decisões terapêuticas.

O estudo SNAPSHOT e a discrepância entre perceção e realidade
Os dados do estudo SNAPSHOT evidenciam uma discrepância significativa entre a perceção dos profissionais de saúde e a realidade clínica no controlo da hipertensão arterial. O Dr. Francisco Santos Coelho explica esta discrepância à luz de vários fatores: a utilização de cut-offs desatualizados, a subestimação das comorbilidades dos doentes e a desatualização dos indicadores de desempenho nos cuidados de saúde primários face às guidelines internacionais mais recentes. Neste contexto, salienta a relevância da nova norma de orientação clínica da DGS sobre hipertensão arterial, recentemente publicada, que reforça as recomendações internacionais.

“A verdade é que, cada vez mais, temos de perceber que, quanto mais cedo atuarmos, melhores vão ser os resultados e, portanto, é urgente nos lembrarmos que não estamos a conseguir chegar ao objetivo”, acrescenta o Dr. João Soares Ferreira.

Terapêutica tripla: da inércia à evidência
Sabe-se que pelo menos um em cada quatro doentes hipertensos pode vir a necessitar de terapêutica tripla para atingir um controlo adequado. Ainda assim, subsiste alguma inércia por parte dos clínicos em avançar para esta combinação. O Dr. Francisco Santos Coelho atribui esta tendência a um paradigma histórico que privilegiava o escalonamento progressivo das doses antes de introduzir um terceiro fármaco. “Mas eu acho que agora, cada vez mais também, vamos tendo a consciência de que é possível avançar mais cedo para uma terapêutica tripla, reduzindo a probabilidade de eventos adversos e ganhando tempo.”

O Dr. João Soares Ferreira acrescenta uma dimensão prática a esta discussão: muitos doentes já se encontram medicados com três fármacos distintos para a hipertensão, mas tomam-nos de forma separada. “A passagem para uma associação fixa seria um passo muito grande na melhoria da adesão”, sublinha, dado que a simplicidade de um único comprimido reduz significativamente a probabilidade de falhas terapêuticas. “Muitas vezes, o que falta é dar o passo de perceber que temos mesmo de agir. Nós sabemos que este é o caminho certo, nós temos as armas, mas falta dar esse passo.”

IECAs vs. ARAs: a evidência que diferencia
A escolha da molécula não pode ser indiferente. Ambos os especialistas sublinham que existe evidência que diferencia os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECAs) dos antagonistas dos recetores da angiotensina (ARAs) no que respeita à redução da mortalidade cardiovascular e por todas as causas. “No momento da escolha do fármaco, se tenho uma opção que permite proteger o utente para além de o controlar na sua hipertensão, devo obviamente ter isso em conta”, refere o Dr. João Soares Ferreira. O Dr. Francisco Santos Coelho concorda, reiterando que “o resultado final não pode ser apenas ter um número bom na pressão arterial”. O objetivo é aumentar a esperança média de vida livre de doença.

Associações em comprimido único: uma mais-valia ainda subvalorizada?
A evidência é clara: quanto maior o número de comprimidos, maior o risco de não adesão. As associações de fármacos em dose fixa e comprimido único surgem como uma resposta eficaz a este problema, com benefícios demonstrados não só na adesão terapêutica, mas também na redução de custos para o Serviço Nacional de Saúde. O Dr. Francisco Santos Coelho considera que estas combinações são “uma mais-valia”, e que as prescrições de novo já incorporam com maior frequência este formato. Já o Dr. João Soares Ferreira alerta para o facto de que melhorar a adesão, ao reduzir o número de eventos cardiovasculares, representa igualmente uma poupança a longo prazo para o sistema de saúde. “Melhorando o controlo da hipertensão arterial vamos também ter um custo mais baixo a longo prazo, através da redução do número de eventos.”

Dia Mundial da Adesão: uma mensagem para a prática
A propósito do Dia Mundial da Adesão, que se assinala a 27 de março, os dois médicos deixam uma mensagem clara aos colegas de Medicina Geral e Familiar. O Dr. Francisco Santos Coelho apela a que cada consulta seja aproveitada para rever ativamente a folha terapêutica do doente, simplificar regimes e propor alterações que facilitem a adesão, tudo numa abordagem comunicacional “próxima, empática e assertiva”.

O Dr. João Soares Ferreira recorre a uma frase que resume bem o espírito da data: “os medicamentos apenas fazem efeito se forem tomados”. Prescrever corretamente é necessário, mas não suficiente. Garantir, em cada consulta, que a adesão está a ser cumprida e que o regime terapêutico é o mais simples e cómodo possível para o doente é, na sua perspetiva, a grande missão do médico de família no acompanhamento das doenças crónicas cardiovasculares.

Sobre a Servier Portugal
O início da atividade do Grupo Servier em Portugal remonta a 1964, mas foi em 1978 que a empresa se estabeleceu enquanto filial: nascia a Servier em Portugal. Atualmente com uma equipa de aproximadamente 150 colaboradores, a Servier Portugal dedica a sua atividade às áreas de Hipertensão, Dislipidemia, Doença Venosa Crónica, Doença Hemorroidária, Diabetes, Insuficiência Cardíaca, Depressão e Oncologia. Em específico na área de Oncologia com soluções terapêuticas para os Cancros Colorretal, Gástrico, Pancreático, Colangiocarcinoma e Leucemia Linfoblástica Aguda. 

Fundada para servir a saúde, somos uma empresa farmacêutica internacional e independente, governada por uma fundação sem fins lucrativos com sede em Suresnes, França. Estamos comprometidos com o progresso terapêutico para responder às necessidades dos doentes com a ajuda de profissionais de saúde. Estamos profundamente cientes das nossas responsabilidades para com os doentes, médicos e profissionais de saúde. Mais informação: www.servier.pt.

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