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Investigação portuguesa na origem de medicamento aprovado em 44 países mostra alcance internacional da ciência feita no nosso país

De Aveiro para o mundo: investigação portuguesa na origem de um medicamento com alcance global

Uma investigação desenvolvida na Universidade de Aveiro esteve na origem de um medicamento que hoje chega a 44 países. O percurso, da investigação fundamental à aplicação terapêutica à escala global, esteve em destaque no “Where Science meets Innovation”, um encontro que reuniu em Lisboa investigadores, profissionais de saúde e outros parceiros para discutir como a ciência produzida em Portugal, a geração de evidência e a colaboração podem traduzir-se em avanços concretos nos cuidados de saúde.

Lisboa, 29 de setembro de 2026 – Uma investigação iniciada na Universidade de Aveiro esteve na origem de um medicamento para o tratamento da hipercaliémia, atualmente aprovado em 44 países. O percurso, que levou conhecimento científico produzido em Portugal até a uma aplicação terapêutica de alcance internacional, é um dos exemplos que ilustra a capacidade da ciência desenvolvida no país para gerar inovação e, através da colaboração entre diferentes parceiros, produzir impacto na saúde.

O caso foi hoje apresentado no encontro “Where Science meets Innovation”, promovido pela AstraZeneca Portugal, em Lisboa, que reuniu investigadores, profissionais de saúde e diferentes parceiros do setor para discutir como a investigação, a geração de evidência e a colaboração podem contribuir para transformar conhecimento científico em soluções e melhorias concretas nos cuidados de saúde.

Da investigação em Aveiro à escala internacional
No Laboratório Associado CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, da Universidade de Aveiro, o Professor João Rocha e a sua equipa desenvolveram investigação em silicatos de zircónio microporosos, entre os quais o AV-13. Este material partilha a mesma estrutura de base, com pequenas diferenças de composição, com o composto desenvolvido pela ZS Pharma que viria a ser utilizado como tratamento da hipercaliémia.

Estes trabalhos contribuíram para o conhecimento desta família de materiais e deram lugar a uma colaboração científica com a ZS Pharma, atualmente parte da AstraZeneca.

A hipercaliémia caracteriza-se por níveis elevados de potássio no sangue e é uma condição comum em pessoas com doença renal crónica e insuficiência cardíaca. O medicamento resultante deste percurso foi aprovado pelas autoridades reguladoras europeia e norte-americana, encontra-se atualmente aprovado em 44 países e está aprovado pelo infarmed desde dezembro de 2022.1

O contributo desta investigação para o desenvolvimento e impacto global do medicamento foi recentemente integrado na exposição comemorativa dos 50 anos da Universidade de Aveiro, que destaca alguns dos principais marcos da instituição e o seu impacto na sociedade.

“Quando começámos a estudar estes materiais em Aveiro, estávamos a fazer investigação fundamental, sem antecipar necessariamente até onde esse conhecimento poderia chegar. Ver hoje uma linha de investigação desenvolvida no CICECO na Universidade de Aveiro associada a uma solução terapêutica utilizada internacionalmente mostra como a ciência feita em Portugal pode contribuir para avanços com alcance global. Mostra também a importância da colaboração entre a academia e a indústria para transformar conhecimento científico em benefícios concretos para as pessoas”, afirma João Rocha, Professor Catedrático de Química da Universidade de Aveiro.

Da produção de conhecimento à melhoria dos cuidados
A história de Aveiro foi um dos exemplos apresentados no encontro, que abriu o debate sobre a capacidade de Portugal para desenvolver investigação, produzir conhecimento sobre a realidade nacional e criar projetos que respondam às necessidades dos doentes e dos serviços de saúde.

A AstraZeneca tem atualmente 33 ensaios clínicos em curso em Portugal e 112 estudos de geração de evidência implementados ou em desenvolvimento, envolvendo mais de um milhão de indivíduos. Este trabalho está associado a perto de 300 publicações em congressos e revistas médicas nacionais e internacionais.2

Os dados gerados através destes estudos têm permitido aprofundar o conhecimento sobre a epidemiologia e a caracterização das doenças em Portugal, mas também apoiar a identificação de oportunidades de melhoria na organização do percurso dos doentes e na prestação de cuidados de saúde.

“Investigar e gerar evidência em Portugal permite-nos conhecer melhor a realidade dos nossos doentes e perceber onde persistem necessidades ao longo do seu percurso no sistema de saúde. Mas produzir conhecimento não é suficiente. O verdadeiro impacto acontece quando conseguimos utilizá-lo para identificar mais cedo pessoas em risco, melhorar o diagnóstico e a referenciação ou contribuir para cuidados mais adequados. É essa passagem do conhecimento à prática que procuramos potenciar através dos projetos que desenvolvemos com os nossos parceiros”, afirma Hugo Martinho, Diretor Médico da AstraZeneca Portugal.

Mais de 30 parcerias com o ecossistema de saúde
A colaboração entre diferentes intervenientes foi outro dos eixos centrais do encontro. A AstraZeneca Portugal mantém atualmente mais de 30 colaborações em curso com a comunidade médica, sociedades científicas, associações do setor da saúde e academia.

Estas iniciativas abrangem diferentes momentos do percurso dos doentes, desde a identificação de pessoas em risco e o diagnóstico até à referenciação, otimização terapêutica e melhoria dos cuidados.

Entre os exemplos apresentados encontram-se iniciativas na área do carcinoma hepatocelular, o apoio à capacitação clínica para a criação de unidades multidisciplinares de asma grave e o desenvolvimento de uma checklist de alta para pessoas com DPOC após uma exacerbação, a par de projetos de educação médica, partilha científica e promoção da saúde.

O papel da colaboração esteve também no centro da mesa-redonda “Parcerias com impacto que fazem a diferença”, que reuniu especialistas de diferentes áreas do ecossistema de saúde português.

“Portugal tem ciência de qualidade, profissionais altamente diferenciados e um ecossistema de saúde com capacidade para participar ativamente na inovação. O percurso iniciado no CICECO na Universidade de Aveiro é uma demonstração particularmente relevante do alcance que o conhecimento produzido no nosso país pode ter. Na AstraZeneca, queremos contribuir para criar as condições para que outros exemplos surjam, investindo em investigação e construindo parcerias de longos prazos que consigam transformar conhecimento em inovação e inovação em impacto real para os doentes e para o sistema de saúde”, afirma Nathalie Cardinal von Widdern, Presidente da AstraZeneca Portugal.

Ciência, colaboração e impacto
O encontro “Where Science meets Innovation” reuniu diferentes dimensões da inovação em saúde: da investigação científica com projeção internacional à geração de evidência sobre a realidade portuguesa e ao desenvolvimento de projetos colaborativos dirigidos a necessidades concretas dos doentes e dos serviços de saúde.

O programa contou com intervenções de Nathalie Cardinal von Widdern, Presidente da AstraZeneca Portugal; Andreas Heddini, Vice-Presidente Medical Affairs, Europa e Canadá; João Rocha, Professor Catedrático de Química da Universidade de Aveiro; e Hugo Martinho, Diretor Médico da AstraZeneca Portugal. A mesa-redonda “Parcerias com impacto que fazem a diferença” reuniu Ricardo de Albuquerque, Rui Baptista, Margarida Dias, Paula Pinto e Filipe Costa e o encontro foi moderado pelo jornalista Pedro Benevides.

Sobre a AstraZeneca
A AstraZeneca é uma companhia biofarmacêutica global orientada para a inovação, focada na investigação, no desenvolvimento e na comercialização de medicamentos de prescrição médica nas áreas de Oncologia, Doenças Raras e Biofarmacêutica, incluindo Cardiovascular, Renal e Metabólica; Respiratória e Imunológica e Vacinas e Terapêuticas Imunes. Opera em mais de 100 países e os seus medicamentos inovadores são utilizados por milhões de pessoas a nível mundial. Para mais informações e para conhecer as oportunidades na AstraZeneca Portugal visite www.astrazeneca.com e www.astrazeneca.pt.

Referências
1. INFARMED, I.P. Relatório Público de Avaliação: (Ciclossilicato de Zircónio Sódico). Tratamento da Hipercaliemia em Adultos. Direção de Avaliação das Tecnologias de Saúde (DATS). 19 de dezembro de 2022.
2. APIFARMA. Atlas dos Ensaios Clínicos Ativos em Portugal: Dados Globais, 2.º Trimestre de 2026. Núcleo de Estudos e Análise (NEA), APIFARMA. Dados a 30 de junho de 2026

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